A história e suas peculiaridades...

Atualizado: Jul 24

Como a história é feita?


Muitas pessoas, sendo elas, historiadores ou não, se perguntam “Como a história é feita”. Essa pergunta pode não ser feita abertamente, mas quando projetos institucionais como o “Escola sem partido” são construídos através de uma narrativa de que “Há uma parcialidade na história, que está sendo ensinada, e queremos uma história neutra e sem partidos”, fica evidente que o que está em jogo é a falta de conhecimento sobre a construção da história e de seu discurso.


O historiador José D’Assunção Barros, faz uma excelente observação sobre isso no seu livro “Teoria e formação do Historiador”:

“Há um senso comum que acredita que o papel do historiador é narrar o fato tal como ele aconteceu. Os fatos são obviamente importantes para o historiadores, e sem eles não se faz a história; mas o que precisamos compreender, (...) é que o trabalho principal dos historiadores é o de construir as interpretações que darão sentidos a estes fatos.” (Barros, J. D’A. 2017, p. 8)


Ou seja, os fatos são norteadores para o trabalho do historiador, mas não é seu objetivo final apenas recolhê-los, ou não mais, e sim interpretá-los e significa-los para os homens do seu tempo. Diria José Carlos Reis sobre o que é a história e o historiador:

“(...) a história é, primeiro, “teoria”, no sentido estrito - epistemologia, metodologia,gnoseologia, ética, política, estética, linguística - é só depois, a partir de escolhas, decisões, definições, seleções, reflexões e construções teóricas, é crítica documental. (...) o lugar da teoria-metodologia é central na cultural histórica, porque o nome “historiador” requer uma qualificação, pois dizer “eu sou historiador” não é suficiente para definir sua identidade. O interlocutor perguntará: historiador de que tipo, de qual tendência, em que perspectiva? Toda obra histórica é uma “teoria” em movimento, implícita e realizada, mesmo quando não explicitada. A escrita histórica sempre teve, tem e terá “partidos”, pois é fundamentada em problemas, hipóteses e valores, que se enfrentam e se combatem em “regimes de historicidade” e “regimes de verdade” históricos.” (Reis. J. C., O lugar central da teoria-metodologia na cultura histórica, 2019)


Baseado nesta fala, podemos concluir que a história definitivamente não é apenas aquilo que constantemente se tem entendido no senso comum, como: Datas; nomes; lugares; museus; contos; fatos. Tudo o que foi citado faz parte da história, mas não são definidoras do que é a história e muito menos de como ela é feita. A história requer uma interpretação, se dá no tempo, e é feita por homens pertencentes a um tempo histórico específico e que por isso, carregam a marca dele em sua escrita.





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