A Persistência do erro

Atualizado: Mai 14

Ainda que eu andasse na correta rota

Ainda que eu amasse o que destino me fez

Ainda que aceitasse o que vós dizeis,

Não seria eu quem estaria vivo

Seria apenas uma sombra triste

Que em vão se apresentaria a vós

Sem dizer nem mais uma palavra.

A única coisa que comigo andaria

Seria a tristeza no olhar

De naquele lugar permanecer

Em silêncio vil

sobre o céu anil.

Não me faço monstro por amar

E nem anjo por odiar

Apenas sigo livre

Aquilo que, em consciência,

Sei que é para mim.

O peito arde em chamas ao ver os mortos,

Quer seja os do além-mar,

Quer seja os do diferente amar.

E é claro em seus olhos turvos

Gotas de tristeza

Que na profunda alma presente

Grita à justiça e pede perdão

Pelos atos ditos sujos que fazem.

Ainda que fossemos “normais”,

Aos vossos olhos ao menos,

Seriamos tristes por obedecer-vos calados!

- Amor sacro e profano, de Ticiano Vecellio. 1515.

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