A representação estudantil e a construção da justiça

Quando se fala de protagonismo estudantil, não se trata apenas de inscrever-se em um ou outro projeto do seu Campus. É essencial que haja um forte senso de liderança que guiará os pares a um objetivo em comum. No cenário político, social e econômico vigente, pode-se perceber alguns obstáculos para isso, não só no sentido da virtualização, promovida pela pandemia, mas também do forte senso de desesperança que toma parte da sociedade brasileira. Isso se dá, principalmente, pela destruição das políticas públicas de promoção de bem-estar social, retirada de direitos dos trabalhadores, não representação no cenário político de forma evidente, promoção da miséria, fome e abandono por políticas injustas adotadas nos últimos anos pelo Estado brasileiro. O próprio IFMG vem sendo atacado constantemente com recorrentes cortes orçamentários, impedidores de ações essenciais no desenvolvimento regional, missão desta Instituição.

Além disso, nesse cenário, complementam-se várias ações daqueles que detém o poder público de dificultar a participação efetiva da população na estrutura de poder. Assim sendo, é aqui que entra a importância de nós, os discentes, participarmos ativamente, tanto como inscritos, quanto como articuladores e líderes dos nossos pares, nas instâncias de tomada de decisão do IFMG. Somente assim, poderemos nos colocar frente às ações interpostas a nós e que impactam diretamente na nossa rotina enquanto estudantes.

Entender os efeitos dos cortes orçamentários, propor soluções, articular lideranças, promover ideias são essenciais na construção de uma sociedade mais democrática. Lembro, ainda, que as escolas e universidades são as instituições onde o aluno tem um primeiro contato com a política, sendo primordial nessa construção. A exemplo, temos o caso do IFRJ campus Belford Roxo, proibido de funcionar por meio de um projeto de lei aprovada pela Câmara dos Vereadores e enviada pela Prefeitura depois que uma intensa atividade política foi observada pelo poder público local, incentivada pelos alunos do Campus, que lutaram, por várias vezes, direitos não fornecidos pela Prefeitura. O campus foi fundamental na construção de políticas públicas de inserção, promoção de renda e suporte a pequenos empreendedores, trabalhadores, alunos e demais segmentos da comunidade local, uma das mais violentas do Estado do Rio de Janeiro. De tal maneira, o esforço dos alunos na recuperação do funcionamento da escola fez com que a Justiça Federal considerasse ilegal o impedimento, obrigando a prefeitura a mantê-la.

Por fim, é natural de se pensar que tal protagonismo é a ferramenta básica da construção do senso de Justiça pela comunidade como um todo, essencial na construção da sociedade que versa a Constituição Federal de 1988. Que todos tenham acesso à Educação, Emprego, Saúde, Segurança, Alimentação, Moradia são bases da carta constitucional e não podem ser esquecidas por nós, exigindo participação de todos.


Nota: Este texto constitui a íntegra do meu discurso proferido em minha campanha ao Conselho Superior do IFMG, instância acadêmica máxima da Instituição, como representante dos discentes. Em uma live publicada no link abaixo, apresentei um resumo dele para fins de divulgação das propostas do Coletivo Votamos juntos, formado por docentes, discentes e servidores da instituição, candidatos ao órgão, onde fui convidado a abrir a fala dos discentes falando de protagonismo estudantil e justiça. O bate papo está disponível logo abaixo:



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