Tchaikovsky e a representação da Campanha da Rússia, de Napoleão - Análise de Abertura 1812

Uma das mais proeminentes obras do compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky, a Abertura Solene Para o Ano de 1812 marca uma passagem histórica muito interessante. Nela, o russo tenta representar, por meio da música, o fracasso da Grande Armeé, o exército imperial francês liderado por Napoleão Bonaparte. Acontece que no início do século XVIII, a França estava conquistando a vastos territórios Europa à fora e, depois de impasses diplomáticos, resolveu atacar a Rússia.

Inicialmente, a música apresenta um contexto melódico, tristonho. Esse começo representa o início triunfante das batalhas pendendo ao lado francês e o desespero do lado russo. Nesse começo, é possível escutar trechos do futuro Hino Nacional Francês (La Marseillaise), simbolizando os momentos de sucesso de Napoleão. Noutros, observa-se, ao fundo, o Hino Imperial Russo, desenhando a resistência deles às invasões francas.

Interessante notar que a Rússia utilizou da mesma estratégia usada anos mais tarde, na Operação Babarossa, contra a Alemanha Nazista: a de Terra arrasada. Os russos não resistiam à invasão com tanta eloquência. Destruíam tudo que poderia auxiliar na manutenção do exército inimigo, ateava fogo nas vilas e cidades, destruíam pastos e evacuavam a população local. Com isso, rapidamente o exército francês (e, mais tarde, o Alemão) ficou cada vez menos abastecido e fraco. As longas distâncias das planícies russas e o rigoroso inverno não colaboravam, fatos postos na música por meio de tons triunfantes e partes do hino “Deus salve o Czar”, da Rússia.

Outro fato interessante é que, paralelamente, Napoleão Bonaparte invadira a Ibéria (Região de Portugal e Espanha), forçando a vinda da família real para o Brasil. Os feitos disso nas relações políticas internas de Portugal foram imensas, gerando insatisfações em Lisboa, e um desenvolvimento mais acelerado no Brasil.

Ao final da música, é possível escutar bombas e tiros, mostrando a vitória triunfante do lado russo. Tudo isso acompanhado de trechos do hino imperial que, já na época de Hitler, fora proibido pelos Soviéticos. Tchaikovsky fecha a composição com uma música memorável, já mais reconhecida pelo público. Aqui, percebe-se uma característica de Tchaikovsky: o nacionalismo. Em várias marchas, ele coloca de maneira muito presente homenagens ao seu império natal, principalmente ao Czarismo.

Interessante notar algo já dito neste texto: um século depois, o Império Russo vence um outro grande inimigo, de uma maneira bem parecida com a que foi usada contra Napoleão. Por meio da tática da Terra arrasada, o Exército soviético garantiu a Stalin a vitória sobre Hitler e o desfecho da 2° Grande Guerra na Europa.

Logo abaixo, podemos acompanhar essa que foi uma das mais icônicas composições feitas, apresentada pela Orquestra Real do Concertgebouw, de Amsterdã, Países Baixos:



Mais informações:


https://www.casadamusica.com/pt/artistas-e-obras/obras/a/abertura-1812-piotr-i-tchaikovsky/?lang=pt#tab=0


https://filarmonica.art.br/educacional/obras-e-compositores/obra/tchaikovsky-abertura-1812-op-49/


https://rockontro.org/2020/09/10/memorias-momentos-e-musicas-tchaikovsky-abertura-1812/



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